Prédio da escola de teatro mais antiga da América Latina corre risco de desabar no Centro

Defesa Civil interditou o imóvel da Escola de Teatro Martins Penna devido a problemas com cupins, ratos, mofo, rachaduras, entre outros; alunos cobram do Governo, da Faetec e Iphan reformas e comprometimento com a história do edifício que tem mais de 100 anos

Foto: Reprodução/Redes sociais

Na última terça-feira, (07/03), a Escola Técnica Estadual de Teatro Martins Penna, da rede Faetec, no Centro do Rio, foi interditada pela Defesa Civil por conta da atuação de cupins na estrutura do seu mezanino, mofo, rachaduras, e outros problemas que podem comprometer a estrutura do edifício. E essa história ganha mais um capítulo, pois, na quinta-feira, (09/03), alunos do teatro Luiz Peixoto, que fica dentro da instituição, realizaram um ato, pacífico, em frente à escola técnico de Quintino, na Zona Norte do Rio, para cobrar o Governo do Estado, Faetec e Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) – o imóvel é tombado desde 1930 – por melhorias no prédio da unidade de ensino no Centro da cidade.

Os estudantes afirmaram, ao Veja Rio, que as negociações com os órgãos responsáveis ainda estão em andamento, mas há uma urgência para resolução do problema. “Decidimos que não podemos mais esperar sentados por uma ação da Faetec ou do Iphan. Queremos respostas rápidas. Ir para escola sem nos preocupar com a possibilidade do prédio desabar em cima da gente”, disse Guilherme Gelain, aluno da Martins Penna e um dos interlocutores do movimento em defesa da instituição.

Os alunos contaram que além dos danificações na estrutura do prédio, também há uma contaminação de ratos na biblioteca, que precisou ser fechada.

Foto: Reprodução/Redes sociais

1908

Fundada em 1908, a Martins Pena é a escola de teatro mais antiga da América Latina. O prédio histórico, do século XIX, fica na Rua Vinte de Abril, número 14, no centro da capital. O pesquisador Evandro Luiz de Carvalho contou, ao DIÁRIO DO RIO, que o local possui uma grande riqueza histórica para o Rio de Janeiro, porque foi primeiro espaço, oficial, dedicado ao ensino de teatro no Brasil. E ambém foi berço e casa do Barão do Rio Branco. É um lugar de memória, um bem de valor inestimável sob todos os pontos de vista”, conclui Carvalho.

Marconi Andrade, que faz parte do S.O.S Patrimônio – grupo que luta pela preservação do Patrimônio Histórico Material do Rio de Janeiro e Brasi – disse, ao DIÁRIO DO RIO, que esse abandono é criminoso. “Mostra a ignorância dos nossos dirigentes com a nossa cultura e com o nosso povo. A preservação desse prédio, assim como o de outros, é uma proteção a nossa história. O Rio é lindo, rico de Patrimônios Históricos, que precisam ser valorizados”, diz Marconi.

O que diz a Faetec

Em nota a Faetec, responsável pela gestão do imóvel, alega que a atual administração verificou, em janeiro de 2023, uma exigência do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico (Iphan) para continuar as obras da escola e que um estudo de prospecção já estaria em processo de contratação.

“É importante esclarecer que a Escola Técnica Estadual de Teatro Martins Pena possui um prédio reformado para atender aos alunos do último módulo do curso e que a interdição foi determinada hoje apenas ao casarão tombado no mesmo terreno.

Cabe ressaltar que a administração da Faetec está empenhada em solucionar os problemas, considerando legítimas as reivindicações dos alunos e a importância da cultura e da escola na história da Fundação.”, diz a Faetec no comunicado.

O Iphan não se pronunciou sobre o caso.

Curso

A instituição conta com o curso regular de formação técnica em Teatro, com duração de dois anos e meio, e uma programação que trazia seminários, oficinas livres, encontros, entre outras ações ligadas ao mundo artístico.

Ao longo da sua existência, passaram por suas salas de aula artistas como Procópio Ferreira, Joana Fomm, Denise Fraga, Armando Babaioff, entre outros.

Advertisement

1 COMENTÁRIO

  1. O Centro Histórico do Rio deveria receber mais atenção. Deveria haver um consenso entre IPHAN, prefeitura, governo estadual e municipal para que as obras de manutenção fossem mais agilizadas. Sabemos que restauração já é uma coisa morosa, se não tiver um acompanhamento pelo menos mensal da estrutura de cada prédio, a restauração será muito mais demorada porque vai implicar nesse caso que está acontecendo de ter que se interditar de repente sem dar chance de se procurar um outro lugar provisório para atender quem usa o prédio.

Comente

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui