Nós informamos aqui no DIÁRIO DO RIO, o ex-prefeito do Rio, Marcelo Crivella (Republicanos), pode ser embaixador do Brasil na África do Sul. E a sociedade está tratando como se fosse um grande escândalo, só que uma indicação política para Embaixada está longe de ser uma novidade, ou um problema, no Brasil ou no mundo.

O ex-presidente Itamar Franco foi embaixador do Brasil em Portugal, e depois na Organizaçãodos Estados Americanos (OEA), indicado pelo então presidente Fernando Henrique Cardoso. FHC também indicou o ex-senador Jorge Bornhausen também foi embaixador em Portugal, assim como o ex-presidente da Câmara dos Deputados, Antonio Paes de Andrade. Já Lula, quando presidente, indicou o ex-deputado Tilden Santiago como embaixador do Brasil em Cuba.

Mas isso é Brasil… nos EUA é comum indicarem nomes políticos para embaixadas, e posições importantes, como é o caso da viúva de John MacCain, que foi senador e candidato a presidente, Cindy McCain é embaixadora na FAO. Já o ex-embaixador do EUA na Argentina, Edward C. Prado é um político republicano. Mas esse é por que era o Trump? Não, no governo Obama as indicações também foram de políticos para Buenos Aires, Vilma Socorro Martínez e Noah Mamet. E são vários os casos tanto nos EUA quanto em outros países.

Entendo quando Jair Bolsonaro quis indicar o filho, o deputado federal Eduardo Bolsonaro, embaixador em Washington. É um dos postos mais importantes da diplomacia brasileira, o EUA é um país chave para o Brasil e ainda tinha a conotação de nepotismo. E o Zero Três pode ser tudo, menos diplomático.

Mas o que dizer de indicação política para a África do Sul? Não é, a princípio, a joia da coroa para os diplomatas de carreira, que preferem o circuito Washington, Paris e Londres. É um país importante para o Brasil, mas não essencial como a China ou mesmo a Argentina.

E quanto a ser Crivella? Ele tem alguma ligação com a África, foi missionário no continente. Fala bem inglês, entende o continente e, mesmo tendo sido um horror como prefeito, é um estudioso. Foi preso em uma operação? Verdade, mas como se diz, é inocente até que se prove o contrário.

Quem lê meus textos sabe que estou longe de ser um defensor do Bolsonaro, e muito menos de Crivella. Mas reclamar que ele se tornar embaixador é para atender interesse político, por favor, já se fez muito pior no Brasil e todos ficamos calados. Assis Chateaubriand conseguiu ser embaixador em Londres sem falar uma palavra em inglês, que deixe o bispo descansar em Pretória.

4 COMENTÁRIOS

  1. Quintino foi elegante ao descrever os sistema americano de escolha de embaixadores. Lá os embaixadas são literalmente vendidas a doadores de campanha do presidente. No Brasil é um recurso mais ameno, do tipo “mande o Itamar para Portugal para não atrapalhar por aqui”. Sou 100% a favor de despachar Crivella para bem longe do Rio de Janeiro.

  2. Boa noite Sr.Quintino.
    Algumas observações para reflexão.
    1- Não tenho conhecimento do ex-presidente Itamar ter sido investigado, denunciado ou condenado em sua vida pública.
    2- Não tenho conhecimento sobre os demais indicados seja aqui ou no exterior citados .
    3- Acredito não ser, no mínimo, ético indicar com todos esses predicados desabonadores.
    4- por fim, para não me alongar, o Sr acredita que ele irá despender seus esforços em benefício do Brasil ou da igreja da família que passa por momento difícil no continente africano?
    Minha avaliação é que não sejamos ingênuos. Por essa e outras que temos um presidente maluco- genocida- meliciano.
    Como carioca temos que conhecer a história dos nossos. Bolsonaro e Crivela têm suas vidas públicas aqui.
    Abraço

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