O vereador Renato Cinco (sem partido) avisou via carta aberta, chamada “Vou ali e já volto” que estaria se afastando temporariamente da militância polítca. Diz que desde 28 de março de 1988, ou seja, há quase 33 anos, a política está no centro de sua vida, razão pela qual deixou em 2º plano sua carreira profissional.

Como não se reelegeu, a partir do dia 1º de janeiro, diz Cinco que será um cientista social sem pós-graduação e sem emprego e renda. De acordo com sua declaração de renda apresentada ao TRE, o vereador tem apenas R$ 12.768,00 de bens, o que o deixa como o 4º vereador mais pobre da última legislatura.

No PSol, foi vereador do Rio de Janeiro por 2 mandatos, sendo eleito a primeira vez em 2012, com 12.498 votos, em 2016 viu sua votação chegar a 17.162 votos. Em 2014 chegou a ter 27.965 votos para deputado federal, ficando na 1ª suplência. Mas em 2020 viu sua votação cair para meros 3.960 votos, o deixando como 8º suplente no partido, que fez 7 vereadores.

Conhecido por sua militância a favor da legalização da maconha, Cinco também comunicou sua desfiliação do PSol “em função das crescentes divergências e de um resultado eleitoral que consolida sua configuração como partido da ordem se afastando do papel original de polo de aglutinação das lutas populares.“.

Neste ano, em meio à pré-candidatura de Marcelo Freixo (PSOL) à Prefeitura do Rio, Cinco foi crítico e lançou também sua pré-candidatura. Dizia que o PSol deveria ter uma candidatura socialista que fugisse de alianças com partidos de esquerda como o PT e o PCdoB, que chamou de “esquerda da ordem, sem compromisso com a transformação radical do sistema”.

Leia a carta completa de Renato Cinco:

“Vou ali e já volto
Sempre me interessei por política e a militância está no centro da minha vida desde o dia 28 de março de 1988.
Isso me rendeu momentos dos quais me orgulho muito, inclusive os oito anos de mandato na Câmara do Rio.
Porém, deixei em segundo plano minha carreira profissional e aos 46 anos sou um cientista social sem pós-graduação e sem emprego e renda a partir de primeiro de janeiro.
Preciso focar em buscar trabalho e isso vai exigir estudar bastante. Como me conheço, sei que a mínima militância política rapidamente vira máxima militância política. Nunca consegui esse equilíbrio.
Por isso, no próximo período, que espero seja breve, estou me afastando dos movimentos sociais, dos grupos de Zap e suspendendo meus perfis e páginas nas redes sociais.
Também aproveito para comunicar minha desfiliação do PSOL em função das crescentes divergências e de um resultado eleitoral que consolida sua configuração como partido da ordem se afastando do papel original de polo de aglutinação das lutas populares.
Não estou desistindo das lutas, apenas fazendo um recuo estratégico para poder me reorganizar e voltar à militância.
E não esqueça, a pandemia não acabou.
Vou ali e já volto.
Renato Cinco

3 COMENTÁRIOS

  1. Cristina Reis, o Tarcísio apoiou a candidatura do Freixo. Eu e David fomos pré-candidatos. Quando o Freixo retirou eu mantive a minha e posteriormente o David retirou a dele. A Renata entrou como representante do campo majoritário no partido no lugar do Freixo.

    Depois o Freixo tentou retomar a pré-candidatura mas foi barrado pelo campo majoritário que já tinha lançado a Renata.

    Mantive minha pré-candidatura até o final e tive 12% dos votos do diretório, ou seja, como até as pedras sabiam, nunca ameacei vencer a indicação e, como sempre declarei, nosso objetivo era fomentar o debate programático de forma democrática, como ocorre até em partidos burgueses dos EUA. No Brasil parece que debate democrático é ofensivo.

    Marcelo Freixo não foi candidato porque não quis. Tinha maioria esmagadora do Diretório Municipal para aprovar sua candidatura e a política de alianças que quisesse. O que não conseguiu foi descartar a Renata depois que desistiu de desistir. E sobre isso eu não tinha a menor ingerência, era uma questão do campo do Freixo e da Renata.

    Eu simplesmente lancei minha candidatura ainda em 2019 com um manifesto por um programa socialista, ecológico e libertário para a cidade do Rio. Defendi as bases desse documento no debate interno, levei minha candidatura até o fim e tive 12% dos votos.

    Minha opinião era minoritária e não tive nada a ver com a desistência do Freixo, com a desistência da desistência e a opção pela Renata. Até onde eu sei bastava o Freixo não ter desistido e seria o candidato do PSOL em aliança com o PT.

  2. Na minha visão Política, tanto o Renato Cinco, Tarcísio Motta e o David Miranda foram contra a candidatura para Prefeitura do Deputado Federal Marcelo Freixo que fez com que o Rio de Janeiro votasse num Partido golpista, como o DEM, para mostrar poder de força dentro do PSOL. Essa eleição seria a do Marcelo Freixo.

    Não duvido muito, quando o Renato Cinco que foi na esquina e que voltará logo para os braços do DEM.

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