Rodrigo Amorim: Batata conservada

Deputado estadual celebra a PL que transformou a Batata de Marechal em tornando Patrimônio Cultural Material do Rio e propõe uma reflexão sobre conservadorismo

Foto: Reprodução

É motivo de alegria para todos os cariocas, a sanção do meu Projeto de Lei 4219-21 nesta segunda-feira pelo governador Cláudio Castro, tornando Patrimônio Cultural Material do Rio a Batata de Marechal Hermes, uma das milhares de atrações da nossa Zona Norte. A atual Lei 9692 abre um leque de oportunidades para novos projetos em nível municipal, como a criação de pólos para melhor segurança, urbanização, divulgação turística e isenção de impostos. E o que é melhor: eterniza esta tradição incrível, que tem grande presença na internet – pessoas de todas as partes do mundo já visualizaram, com curiosidade e água na boca, os vídeos em que os empreendedores de Marechal enchem sem parcimônia os sacos com a batata recém-preparada e extremamente saborosa.

A partir desta segunda-feira (23/05) a Batata de Marechal está oficialmente no ranking das atrações do Rio – e esperemos que jamais saia dessa lista. Para nós, conservadores, projetos como esse – que eu espero que se tornem frequentes – formam a essência de nossas ações e de nossa filosofia. O grande Roger Scruton, filósofo britânico que perdemos em 2020, definia o conservadorismo como o “respeito ao que veio antes de nós e que nos define”.

As tradições que os conservadores defendem têm a relevância de uma história bem-sucedida – o que quer dizer que elas são o resto palpável de algo que prosperou e não o fato mais recente numa série de começos ineficazes (…) e apontam para algo durável, algo que sobrevive e dá sentido aos atos que delas surgem

Na nossa vida mundana há diversos exemplos de histórias bem-sucedidas que possibilitaram a sobrevivência da espécie humana e a construção de uma sociedade com bons resultados – cite-se por exemplo o casamento entre homem e mulher, gerando filhos e perpetuando a espécie, a música de qualidade como composições de Mozart, Bach e Beethoven sobrevivendo aos séculos e a boa literatura, como pilar para histórias que dignificam o nosso destino como seres humanos.

E o Rio só é o Rio porque preservamos as tradições e os monumentos e prédios históricos (a maior parte destes preservados graças ao Exército e à Igreja, como lembra Carlos Lessa em “O Rio de todos os Brasis”. É o Corcovado preservado aos 90 anos, é o Pão de Açúcar, é a Praça Saens Pena, são os bares da Lapa como o Nova Capela e o Bar Brasil, é Vila Isabel com sua calçada musical, é a tradição do cachorro-quente de rua e, claro, a Batata de Marechal Hermes.

O Rio de Janeiro tem um jeito de ser que é resultado da luta de pessoas que muitas vezes nem sabiam que eram conservadoras – mas que entendiam ser a tradição e as instituições como resultado da experiência positiva do passado, possibilitando um presente e futuro melhores. Hoje, por exemplo, muitas pessoas que se dizem “progressistas” reclamam do Maracanã Padrão FIFA – eu mesmo tenho saudade da geral, do povo ali no nível do campo, das mais de 100 mil pessoas nos clássicos. Quem reclama do novo Maracanã – que tem muitos pontos positivos, no fim das contas – está sendo conservador, pois entendeu que há elementos nas experiências anteriores do Maracanã que formaria torcedores com mais vínculo, para dizer o mínimo.

Que venham mais e mais projetos – quem lê o Diário do Rio acompanha todos os dias as coisas boas de nossa cidade, os bons hábitos que precisam ser preservados para que nossa identidade carioca assim se prolongue através dos séculos. Já diziam os antigos gladiadores: o que fazemos hoje ecoa pela eternidade. E nada mais eterno que o Rio de Janeiro.

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2 COMENTÁRIOS

  1. sinceramente, o “nobre” deputado lança de todos os vernizes para justificar populismo inutil. Batata de marechal como “patrimônio imaterial” é besteira. Pode ser uma marca do lugar, mas as coisas mudam, como ele mesmo cita no caso do Maracanã, que por sinal está um lixo, cinza, feio e mal acabado. Os novos estádios construidos para a copa dão de 1000 a “1”, só para não ficarmos no “7×1”. Faça algo de util para o povo, não use o palanque do povo para fazer “arte”

  2. Caro Rodrigo Amorim, legal seu projeto sobre a batata de Marechal.

    Gostaria de respeitosamente perguntar sobre Conservadorismo, e entender qual a relação entre “respeito ao que veio antes de nós e que nos define” com quebrar uma placa de homenagem a uma pessoa covardemente assassinada e dizer que quem “gosta de índio vai pra Bolívia” ?

    Qual a relação do conservadorismo de teóricos como Edmund Burke, Samuel Coleridge, Thomas Carlyle, Henry Maine e Benjamin Disraeli e essas atitudes que na minha humilde opinião, beiram a pura babaquice?

    Vc acha mesmo que cabe no espaço da civilização se sua mãe ou irmã fossem falecidas e alguém pra protestar contra seu projeto da Batata de Marechal quebrasse uma homenagem feita a elas? É esse tipo de atitude “lacradora de direita” que engrandece a políticia e a sociedade como um todo, ou só serve pra reforçar o efeito manada, o ódio, a violência e a brutalidade?

    Vc e seu amigo pittboy, condenado por defender a violência física contra ministros do STF, Daniel Silveira, alegaram à época que se tratava de uma placa falsa que foi colada por cima da placa verdadeira de um nome de uma rua. Ok, concordo que isso era motivo pra remover a placa, não pra levá-la pra um comício e quebrá-la ao meio para delírio de uma multidão. Isso é grotesco, bizarro, lamentável, é odioso sob qualquer aspecto. Um verdadeiro conservador nos moldes do conservadorismo britânico e norte-americano raiz não faria uma atrocidade dessas.

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