Alvaro Tallarico: Zeca Pagodinho enfrenta dilúvio no Engenhão

Temporal tentou atrapalhar o sambista, mas não conseguiu

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Zeca Pagodinho no engenhão
Show do Zeca no Engenhão (foto: Alvaro Tallarico)

Foi um temporal daqueles. Típico do Rio de Janeiro. Nada que Zeca Pagodinho não conhecesse. O problema para o sambista foi cair bem no dia da gravação de seu DVD de 40 anos de carreira. O palco montado com a imagem de São Jorge acima estava espetacular, bem no gramado do Engenhão, o Estádio Nilton Santos, casa do time de Zeca, o Botafogo.

Era um dia tradicional de caos carioca. Mangueira, Imperatriz e Viradouro no Sambódromo, Kevin o Chris no Largo da Prainha, Flamengo x Vasco no Maracanã e blocos pelas ruas. Tudo acontecendo no mesmo domingo, 4 de fevereiro.

Fazia um bom tempo que eu não ia ao Engenhão. Nem lembro da última vez aliás. Show por lá, nunca havia visto. Vi muitos no Maracanã, inclusive o espetacular do Paul McCartney, que cobri pelo Diário do Rio. A convite da Opus Entretenimento, fui conferir o especial do Zeca, aquele que abriria a turnê e marcaria essa gravação tão especial.

Contudo, quase não fui e muitos não foram, pois caiu uma chuva daquelas. O show atrasou por causa disso. Era para comeãr 19h, mas só comeõu umas 19:30. Perdi o início com a ótima “Camarão que dorme a onda leva”, mas cheguei a tempo de ver outros grandes sucessos como “Pisa como eu pisei” e “Ser humano”. A melodia de “Quando a Gira girou” trouxe uma atmosfera única, destacando a habilidade do artista em cativar o público.

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Em um momento de profunda conexão, Zeca Pagodinho emocionou a todos com a interpretação de “Lama nas ruas” com a ajuda da gaita de Rildo Hora, primeiro convidado, que emprestou emoção genuína ao som. A celebração continuou com “Mais feliz” e “Vai vadiar”, músicas que fizeram o estádio vibrar com a energia contagiante do samba.

“Judia de mim” e a espiritualidade de “Minha fé” trouxeram outras nuances emocionantes, demonstrando a diversidade de temas presentes no repertório de Zeca Pagodinho. “Patota de Cosme” e “Ogum” transportaram a plateia para um universo de festividade e devoção, respectivamente. Zeca agradece sempre seus protetores. Vez ou outra fazia o público cair na gargalhada interrompendo a gravação para soltar suas pérolas.

“Não sou mais disso” levantou a galera que erguia suas latas de cerveja. Mas “Brincadeira tem hora” e fiquei feliz por ouvir “Maneiras”. As participações especiais foram várias como Seu Jorge, Jorge Aragão, IZA, Xande de Pilares, Diogo Nogueira. Porém, aquela que realmente mexeu com o estádio e levou o público ao êxtase foi a de Alcione.

Foi logo depois de “Caviar” que ela entrou e todo a galera ovacionou. Cantaram uma juntos “Mutirão de Amor”, ela fingiu que ia, mas não foi e entoou “não sei se vou aturar”, foi um sufoco de alegria. Aí foi que o estádio explodiu em alegria. Sem dúvidas foi o ponto alto da apresentação. Zeca até se emocionou, conteve o choro.

“Cadê meu amor”, com Iza, “Seu balancê”, “Samba pras moças” e a irreverência de “Casal sem vergonha” trouxeram leveza. Os momentos finais foram marcados por emoção pura, com “SPC”, “Coração em desalinho”, “Deixa a vida me levar” e, para fechar, já com parte do público indo embora sabendo do fim em busca de transporte para retornar ao lar, veio “Verdade”, seguida por “Bagaço da Laranja”, encerrando a noite de maneira grandiosa. A família do homem ainda subiu ao palco.

Os fãs saíram do Engenhão com a certeza de que testemunharam não apenas um show, mas uma experiência única, repleta de paixão, tradição e alegria. A produção foi esplêndida, com um show de luzes, um palco realmente grandioso e o som funcionando com perfeição. Zeca Pagodinho mais uma vez provou por que é uma verdadeira lenda da música brasileira. Lembrei ainda de “Talarico, ladrão de mulher”, música que espalhou uma gíria cada vez mais famosa, com a qual preciso conviver diariamente. Meu pai adorava, vivia cantando e rindo. Geralmente Zeca não canta essa nos shows. Satisfeito, caminhei até a estação de trem do Engenho de Dentro e peguei o 606, o ônibus verdinho que tantas vezes me salvou nas andanças cariocas.

Por fim, a nova turnê do Zeca volta em junho, confira as datas:

21/06 – São Paulo/SP – Espaço Unimed – DATA EXTRA

22/06 – São Paulo/SP – Espaço Unimed – SOLD OUT

13/07 – Florianópolis/SC – Arena Opus

27/07 – Campinas/SP – Royal Palm Hall

24/08 – Curitiba/PR – Expotrade Convention Center

31/08 – Porto Alegre/RS – Auditório Araújo Vianna

14/09 – Brasília/DF – Centro de Convenções Ulysses Guimarães

05/10 – Salvador/BA – Concha Acústica

19/10 – Recife/PE – Classic Hall

25/10 – Natal/RN – Teatro Riachuelo

23/11 – Belo Horizonte/MG – Arena Hall

06/12 a 09/12 – Navio Zeca Pagodinho – 40 Anos (pré-cadastro)

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