Ao lado do estádio Nilton Santos, Museu do Trem está fechado há cinco anos e acervo histórico sofre por falta de conservação

Peças históricas danificadas, pichações, infiltrações e mofo foram detectados no local

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Foto: Alexandre Siqueira

Primeira locomotiva a vapor a trafegar no Brasil, a Baroneza (na grafia antiga se escrevia com z), encontra-se no Museu do Trem, que fica no bairro do Engenho de Dentro, ao lado do estádio Nilton Santos. Além dessa peça histórica para o país, outras estão lá ao lado dela. No entanto, como o local encontra-se fechado, sem visitação e os devidos cuidados, todo o acervo está em risco e já apresenta sinais de danos. O DIÁRIO DO RIO conseguiu fotos, feitas por Alexandre Siqueira, que mostram essa triste realidade.


Fotos de Alexandre Siqueira, publicadas também na página Olhos de Ver

A reportagem do DIÁRIO DO RIO recebeu informações e constatou infiltrações e problemas no telhado do local, além dos danos às peças e estrutura histórica do Museu, como mostram as fotos.

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Fechado há cinco anos, o Museu do Trem não tem previsão de reabertura e não há planos em relação ao acervo que lá se encontra. Além da Baroneza, estão no Museu o Carro Imperial, utilizado por D. Pedro II. E outras locomotivas e peças históricas de mobiliário da rede ferroviária brasileira, como um vagão usado pelo ex-presidente Getúlio Vargas e outro onde viajou o Rei Alberto, da Bélgica, quando esteve no Brasil em visita oficial, em 1922.

“É uma lástima o Museu do Trem e seu valioso acervo estarem abandonados. As peças das antigas estradas de ferro estão se deteriorando. Um absurdo esse descaso com a memória da ferrovia no Brasil“, afirma o jornalista Leo Ladeira, que tem um trabalho voltado ao patrimônio histórico do Rio de Janeiro.

A área onde hoje se localiza o estádio Nilton Santos abrigava as “Officinas de Locomoção da Estrada de Ferro Central do Brasil”, que encerraram suas atividades no início da década de 1990. Quase todos os galpões das antigas oficinas foram demolidos, com exceção de 3 deles, além do prédio-sede das oficinas, cuja fachada ainda se encontra preservada. O Museu do Trem fica no antigo galpão de pintura das oficinas.

“Esse é um grande exemplo do descuido com a questão ferroviária no Rio de Janeiro. Não abrem o espaço e enquanto isso está tudo se deteriorando lá dentro. Uma verdadeira tragédia”, pontua Ricardo Lafayette, presidente da Associação Fluminense de Preservação Ferroviária (AFPF). Lafayette ainda conta que tentou diversas vezes contato com quem é responsável pelo acervo, mas não conseguiu respostas sobre a solução para esse problema e ainda foi impedido por seguranças de tirar fotos lá dentro.

O Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) é o responsável pelo Museu do Trem. Procurado pela reportagem do DIÁRIO DO RIO, o órgão não respondeu.

Roubo dos sinos de bronze

No dia 02 de agosto de 2022, 16 sinos de bronze, que estavam no Museu do Trem, foram furtados. A peças possuem aproximadamente 40 cm de altura, com a coroa, e 30 cm de diâmetro. Cada um pesa cerca de 15 kg de massa (em média), feitos em liga de cobre e sem elementos ornamentais, relevos ou insígnias. Possivelmente de uso em estações e ferrovias para sinalização, foram fabricados no final do século XIX e início do século XX.

Os criminosos que levaram os sinos deixaram no local uma réplica feita de isopor.

À época, em nota, a superintendência do Iphan-RJ disse que “tomou todas as providências necessárias, tendo realizado de imediato análise in loco para averiguar os fatos ocorridos” e que a investigação ficou “a cargo da Polícia Federal”.

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2 COMENTÁRIOS

  1. Quando pegar fogo aparece o dinheiro. É por isso que existem peças de valor no Museu Britânico. Foram roubadas, mas estão em segurança, longe dos “donos” que não sabem as preciosidades que têm em mãos…

  2. Um absurdo que representa bem a mentalidade do país sobre mobilidade urbana. As empresas montadoras de carros, as petroleiras e as produtoras de pneu conseguiram comprar políticos com um lobby tão forte que as ferrovias foram abandonadas no país, mesmo sendo uma solução excelente para nossa dimensão continental. E isso continua até hoje, somos inundados de cidades e estruturas voltadas para carros quando precisamos mesmo é de mais trens nas nossas cidades e ligando elas.

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