Imagem meramente ilustrativa / Jacaré resgatado no Recreio em julho de 2019/ Foto: Divulgação/Sergio Oliveira

O isolamento social causado pela pandemia do Coronavírus tem possibilitado o surgimento de figuras não muito comuns de se ver no meio urbano. Desde o início do ano, gambás, cobras, micos, capivaras, jacarés, pinguins e diversos tipos de aves, entre elas gaviões e corujas tem dado o ar da graça na cidade. Eles fazem parte dos mais de 700 animais silvestres resgatados somente no primeiro semestre de 2020 no Rio. Em média, são 4 bichos salvos por dia pela Patrulha Ambiental, órgão ligado a Prefeitura, formado por fiscais da Secretaria Municipal de Meio Ambiente (SMAC) e guardas municipais do Grupamento de Defesa Ambiental.

Os animais foram recolhidos nos locais mais variados: ruas, casas, condomínios e comércios, geralmente próximos de áreas verdes. O confinamento gerado pelo Coronavírus encorajou os bichos a saírem pelas ruas sem ser, digamos, incomodados.

Atualmente, com a expansão acelerada da malha urbana, os animais estão perdendo espaço, o que gera maior interação deles com as pessoas.A patrulha ambiental ressalta que o trabalho de resgate é importante porque garante o bem-estar dos animais, retirando-os das vias, tanto os que estão feridos, quanto os que se encontram em situação de risco (para eles próprios ou para as pessoas) nas áreas urbanas e residenciais“, afirma o coordenador de Fiscalização e Monitoramento Ambiental da SMAC, Fábio Belchior.

Eles foram recolhidos em ruas, casas, condomínios e comércios, geralmente próximos de áreas verdes­­

Somente no primeiro semestre deste ano, a Patrulha já recebeu mais de 2100 chamados para recolher  bichos silvestres. Nem todos são passíveis de resgate. Fábio explica o motivo:

Muitos chamados são para retirar animais que já se encontram soltos no ambiente. Por exemplo, um jacaré aparece na margem de uma lagoa próxima a um condomínio ou clube. Ali é a área dele, mas as pessoas ficam preocupadas. Mesma coisa com aves que fazem ninhos em árvores perto de imóveis ou gambás que estão procurando comida. Se o animal não está ferido ou em situação que leve risco para ele ou para as pessoas, não tem por que a patrulha retirá-lo“, justifica.

Foto: Reprodução SMAC

Quando o animal é resgatado, quais os primeiros procedimentos?–  Se estiver ferido ou aparentar doença, a patrulha encaminha o animal para o Centro de Recuperação de Animais Silvestres (CRAS) da Estácio, em Vargem Grande. Recentemente, foi selada uma parceria também com o Instituto Vida Livre para o mesmo fim.– Se estiver saudável, não teve muito contato com humanos e só precisa ser devolvido ao seu habitat, a patrulha realiza a soltura em unidades de conservação ambiental do município, sempre próximo de onde foi resgatado.– Se for fruto de apreensão (em feiras, posse irregular, entre outras situações), a patrulha o encaminha para o  Centro de Triagem de Animais Silvestres  (CETAS) do IBAMA, em Seropédica, para tratamento e, se possível, reintrodução no seu habitat.–  Se for animal marinho, ele é encaminhado para os projetos de monitoramento de praias para recuperação.

Estrutura da Patrulha AmbientalA patrulha atualmente funciona com 12 fiscais, um subgerente, 32 guardas municipais do Grupamento de Defesa Ambiental, além de apoio administrativo e de motoristas.Os fiscais e os guardas trabalham em escala de plantão de 24h, atendendo tanto denúncias de crimes ambientais, quanto resgates de animais silvestres.São duas bases da patrulha na cidade. Uma fica no Centro, que atende também a Zona Sul e Zona Norte, e a outra no Parque Marapendi, no Recreio dos Bandeirantes, responsável por toda a Zona Oeste.

Há treinamento específico para os agentes? Sim. Os guardas municipais são treinados para o manejo de animais silvestres pela própria instituição ou por parceiros da Secretaria Municipal de Meio Ambiente.

Orientação para a população A Prefeitura do Rio orienta a população a acionar a Patrulha Ambiental por meio da Central 1746, caso flagre animais silvestres em área urbana do Rio ou em qualquer situação de risco fora do seu habitat. A recomendação é que o resgate seja feito de maneira segura para os bichos, patrulheiros e moradores. O manuseio por parte dos moradores não é aconselhável. Também não é recomendado que os animais sejam afugentados, pois pode agravar qualquer lesão que os animais por ventura apresentem. A Central 1746 funciona 24 horas.-Extremamente importante a população, ao se deparar com esses animais, não tentar capturá-los. Que acione a Patrulha, que tem guardas treinados e preparados para fazer este tipo de trabalho.  A finalidade é resgatar o animal com segurança para que ele não venha sofrer nenhuma lesão e morrer – disse o comandante do Grupamento de Defesa Ambiental, subinspetor Jorge Luiz Guedes.



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