Solar do Visconde de São Lourenço (Rua do Riachuelo, Centro). Foto: Página O Morador é o Centro

No início do ano passado, o Rio de Janeiro recebeu o título de primeira Capital Mundial da Arquitetura. A honraria foi entregue em Paris, na França, pela Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura (Unesco). Um evento para celebrar o feito ficou marcado para julho deste ano, na cidade do Rio, mas por conta da pandemia causada pelo Coronavírus só vai acontecer no ano que vem, em 2021. Contudo, apesar da conquista não temos muito para comemorar. Diversos imóveis de arquitetura marcante em nosso munícipio estão em péssimas condições físicas.

Essa grave situação encontra-se em prédios de responsabilidade municipal, estadual, federal e privada. E está em todas as regiões da cidade.

“Uma grande parcela dos imóveis significativos são públicos e o poder público cuida muito mal do seu patrimônio. O poder público também tem dificuldades para repassar esses imóveis para a iniciativa privada. Dentre os imóveis privados em mau estado de conservação, isso se deve muitas vezes à incapacidade das famílias, ao longo do tempo, de manterem o mesmo padrão econômico. As despesas crescem, as famílias empobrecem, e a conservação dos imóveis é de pouca prioridade. Também o poder público fiscaliza mal”, opina o arquiteto e urbanista Roberto Anderson.

Entre os imóveis de arquitetura histórica para a cidade e que se encontra em estado estrutural crítico está o Automóvel Clube, na Rua do Passeio, Centro. Na última semana, noticiamos no DIÁRIO DO RIO que parte do teto desabou. O interior da construção está praticamente todo destruído.

Vídeo mostra interior do Automóvel Clube destruído

Também no Centro da cidade, outro prédio que já foi digno de foto para um cartão postal hoje em dia retrata abandono. Situado na Praça da República, esquina da Rua Visconde de Rio Branco, o imóvel onde já funcionou o Instituto de Eletrotécnica e a Escola de Comunicação da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) virou símbolo de degradação e perigo, pois os riscos de desabamentos e incêndios são  frequentes.

Foto: Daniel Silveira

“Esse imóvel está em péssimas condições há mais de 10 anos. Passa por uma pequena reforma aqui, outra ali, mas nada significativo e a estrutura segue danificada”, pontua o engenheiro Marco Sales.

Como citado, o problema está em todas as regiões da cidade. Na Glória, Zona Sul, o Palacete dos Amores desperta sentimentos tristes. Destruído, o prédio mais parece uma casa mal-assombrada.

Palacete dos Amores

Na Zona Norte, na aldeia Maracanã/Museu do Índio, um problema sucede o outro. Enquanto isso, a estrutura do prédio segue cada vez mais precária, colocando vidas em risco. Na outra ponta da cidade, as históricas construções da Colônia Juliano Moreira, na Zona Oeste, se encontram em péssimo estado de conservação.

“Um dos instrumentos previstos no Estatuto das Cidades é o IPTU progressivo. Com ele, o município poderia taxar progressivamente os imóveis em estado de deterioração, obrigando os proprietários a restaura-los ou vende-los. Mas o Rio não o utiliza ainda. Já em relação aos imóveis públicos, acredito que o Ministério Público deveria ser mais atuante e não permitir essa depreciação de um bem público”, pontua Roberto Anderson como uma possível solução para o problema.  

Por serem imóveis históricos nessas condições, a preocupação é que não possam resistir ao tempo e simplesmente deixem de existir.

“Se antes da pandemia já estava difícil o equacionamento dessa situação ficou ainda mais difícil. A crise econômica de agora complica um pouco. Nem as famílias, nem os governos têm recursos. Mas todos concordamos que é uma situação que não pode se estender. Precisaríamos de soluções criativas, o que, com as atuais administrações, está fora de cogitação”, disse o arquiteto e urbanista Roberto Anderson.

O DIÁRIO DO RIO consultou especialistas no tema que citaram, ainda, outros imóveis espalhados pela cidade que estão em degradação: Esqueleto do Hotel (Estrada das Canoas, São Conrado), Garagem Poula, (Rua Gomes Freire, Centro), Solar do Visconde de São Lourenço (Rua do Riachuelo, Centro), entre muitos outros.

Contudo, existe a esperança de que com o evento referente ao título de Capital Mundial da Arquitetura, esse grave problema seja reduzido.

“O evento do ano que vem trará milhares de arquitetos, turistas e entusiastas da arquitetura ao Rio. Eles vão divulgar as construções cariocas pelo mundo. Isso pode atrair investidores que farão o restauro de algumas construções antigas. Estou programando tours com esses grupos de fora do Rio. Com certeza uma parcela dos visitantes vão fazer alguma mobilização pela arquitetura do Rio”, frisa Rafael Bokor, da página Rio – Casas e Prédios Antigos.



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2 COMENTÁRIOS

  1. Imaginem que lindeza vermos a Estação Leopoldina e o Museu do índio reformados e revitalizados com centro culturais, exposições e um mini museu para cariocas e turistas. Assim como tantos outros patrimônios históricos e arquitetônicos abandonados no Rio. Brasileiro em geral não se interessa por isso, vede exemplo o que aconteceu com o Museu Nacional na Quinta da Boa Vista

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