Casarões que desabaram há 11 anos no Largo da Prainha, no Centro, seguem arruinados

Se no Arco do Teles faz 15 dias que dois prédios desabaram, sem qualquer providência do proprietário do imóvel causador do acidente, na região portuária já se vão 11 anos de impunidade

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O imóvel que desabou no Largo de São Francisco da Prainha, e que não gerou a mesma indignação do recente desabamento no Arco do Teles - Foto: Daniel Martins - DIARIO DO RIO

Dois prédios que desabaram no histórico Arco do Teles, no último dia 9/10, se tornaram tema de muitas discussões, e até mesmo originaram um decreto da Prefeitura do Rio, que ameaça assumir a propriedade de imóveis abandonados no Centro do Rio de Janeiro após 3 anos de contínuo abandono, antes que ocorra sua ruína. Até o momento, a empresa ALP Participações – cuja omissão ocasionou o que se chamou de “tragédia cultural” para a região da Praça XV – sequer escorou a fachada de seu imóvel, construído em 1886. Também não tomou qualquer providência para salvar o vizinho, destruído por sua negligência. Se isso é um fato, o que fazer com imóveis que já viraram entulho há mais de 11 anos, sem nenhum tipo de ação concreta e visível dos donos ou da Prefeitura?

Às duas da manhã do dia 13 de outubro de 2012, desabaram outros dois casarões numa região igualmente histórica. Os prédios de dois andares cujos restos são mostrados na foto principal desta reportagem ficavam no coração do badaladíssimo Largo de São Francisco da Prainha, na região portuária da cidade, uma região que nos últimos anos se tornou ícone da boemia, e que recebe este nome graças à linda Igrejinha de 327 anos que fica ali bem próxima. Na época, verdade seja dita, a região era muito mais deserta e não estava ‘na crista da onda’ como é o caso hoje. Em 2011, um ano antes, já havia desabado outro prédio ali na região, bem na esquina do Beco João Inácio com o mesmo – e animado – Largo; e as histórias de desleixo e abandono não são só estas no gracioso larguinho cujo acesso se dá pela rua Sacadura Cabral.

A Travessa do Comércio não pode ficar como uma boca banguela como está até hoje o Largo São Francisco da Prainha, que há mais de 12 anos depois do colapso de um sobrado continua com a ruína lá”, propugna o arquiteto e urbanista Washington Fajardo, ex-secretário de planejamento urbano e grande entusiasta da região Central da Cidade, autor do projeto Reviver Centro. Fajardo é mais um que se junta ao coro de que esta situação tem que ser contida já, enquanto não desabam mais imóveis que relembram o Rio de Janeiro do início do século XX e do final do XIX, abandonados por seus proprietários.

11 anos se passaram não do abandono – este tem mais de 30 anos – mas da própria ruína, e os imóveis seguem “na chón”, como diria uma personagem de novela das oito popular no passado. Quase metade dos imóveis do alegre furduncinho onde reina a Casa Porto, do empreendedor Raphael Vidal, pertence à Venerável Ordem Terceira de São Francisco da Penitência, a quem também pertence o imóvel 21 da Travessa do Comércio (que, também abandonado, acabou destruído pela negligência da empresa dona do número 19, que caiu sobre ele).

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Esta ordem terceira, apelidada de VOT (embora não seja a única VOT), não tem qualquer relação com a arquidiocese do Rio, e viveu momentos conturbados, que ocasionaram a venda de diversos imóveis que eram garantia de uma dívida bancária ao Opportunity, alguns anos atrás. A entidade possuía um Hospital na Tijuca, além de diversos imóveis, que acabaram repartidos entre diversas instituições franciscanas após o problema financeiro que acometeu a instituição. Hoje, a situação dos imóveis da entidade não é muito clara, e o abandono de vários é fato conhecido no panorama imobiliário da cidade. Sabe-se que o religioso Francisco Nélio Joel Angeli Bellotti dirige a instituição que ficou com a maioria dos imóveis remanescentes, mas a razão do abandono de tantos imóveis é desconhecida.

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1 COMENTÁRIO

  1. Igreja (de qualquer denominação) ser dona de inúmeros imóveis já é um absurdo em si (estão querendo manter seu antigo status de grandes proprietários de terras? Ou seriam também especuladores?). Mais grave ainda quando deixam esses imóveis ociosos e apodrecendo. Esses sacerdotes estão precisando levar uma enquadrada.
    Além de tomar de volta todos esses imóveis, o Poder Público deveria também revogar TODAS as concessões de rádio e televisão desses espertalhões da fé. O país é laico (ou não é?) e lugar de igreja não é na mídia. Até onde me consta, a Idade Média já acabou faz tempo, e igreja não pode mais ser dona de bens públicos ou atuar em áreas de interesse público. Chega de medievalismo em nome de sei lá qual deus!

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