Em um Papo com Quintino, publicado em nosso canal no Youtube, comentei sobre o problema dos moradores de rua do Rio de Janeiro. Um problema esquecido pelo prefeito Marcelo Crivella, e que precisava de atenção, afinal há os que não têm moradia, os com problemas psiquiátricos e os usuários de drogas. E cada um merece um tipo de tratamento.

E parece que foi necessária uma tragédia para acordar os responsáveis pelo Rio de Janeiro e fazer com que este tema que virou uma verdadeira epidemia em nossa cidade ganhasse destaque. E que começou nesta terça-feira, 31/07, com a Segurança Presente apreendendo dezenas de armas brancas – muitas delas com moradores de rua.

E só agora, após quase 3 anos de mandato, Crivella decidiu que está na hora de fazer convênios com hotéis e igrejas para que possam abrigar essas pessoas em situação de rua, para que elas possam dormir, se alimentar. E isso depois de montar um convênio com o governo do Estado.

E quando a prefeitura do Rio deixa de agir, o atual governador Wilson Witzel acaba vindo cobrir o vácuo deixado pela inação do atual prefeito, foi assim com o Carnaval, e agora os moradores de rua. Mas o governador deseja algo mais efetivo, aproveitando uma lei sancionada recentemente pelo presidente Jair Bolsonaro, que permite a internação involuntária de dependentes químicos.

Essa ação de Witzel está corretíssima, não podemos permanecer abandonados à própria sorte. Também não podem ficar abandonados os usuários de drogas, que preferem ficar largados, cometendo crimes, e quem o Poder Público acaba esquecendo. Ao menos agora, eles irão para, espero, instalações adequadas.

Imagino que haverá pessoas se dizendo contrárias às internações compulsórias, dizendo que fere os direitos individuais dos usuários etc. Mas será que um “cracudo”, que mais parece um zumbi andando pela Avenida Brasil, ainda tem livre arbítrio que não seja o de imaginar como conseguir a próxima dose da droga? Não deve o Estado intervir e salvar tanta a vida dele, quanto dos outros cidadãos?

Que leve estes usuários para clínicas, que os desintoxique, que ensine uma profissão, ou mesmo devolva ao convívio familiar, mas não os deixe nas ruas. E, o mais importante, faça um acompanhamento para que não volte a usar drogas.

E quanto a prender quem usa maconha nas ruas? Também está certo! É necessária sim a legalização das drogas, mas enquanto o Congresso não permite, continua proibido! E por mais que a Lei das Drogas não permita a prisão, levá-los para a delegacia para que sejam advertidos, ou tenham uma pena sócio-educativa, é extremamente necessário para que se retorne a ordem no Rio de Janeiro depois de anos de Cleptocracia.

3 COMENTÁRIOS

  1. Não conheço um psiquiatra especialista em dependência química que aprove essa medida para combater o vício. Sobre a maconha é pior ainda porque vai prender inclusive quem não é viciado com o argumento de minimizar o impacto do tráfico na cidade. É impossível prender todos os usuários de maconha no Rio.

    A única parte boa é que alguns deles votaram no Witzel então têm um karma pra pagar…

  2. Este assunto é bem complicado, porém, concordo em algumas partes. Moradores de rua vemos em qualquer lugar, eu fiquei chocado com a quantidade deles nos arredores do Madison Square Garden em Nova York durante o meu intercâmbio. Nós não sabemos as razões que os levaram a estar ali. É complicado porque vemos a situação destes moradores de rua e nos perguntamos: Como dar uma profissão a elas? Como fazê-las aprender a ler e escrever? Como reinserir na sociedade? Não é uma tarefa tão fácil pegar uma mulher moradora de rua de 40 anos analfabeta e tentar fazer com que ele se vire na sociedade. Quem irá contratar? No entanto, com planejamento creio que dá certo. Primeiro penso que deveria haver uma lei proibindo os moradores de rua. Segundo, essas pessoas que tem sua consciência sã devem aprender um ofício e elas terem preferência imediata em contratações de emprego. Ou ser criada uma agência onde essas pessoas trabalhem. E sobre os moradores de rua que sofrem de transtornos mentais? Aí a situação fica pior. E como dar casa a eles? É um dilema muito grande que deve ser debatido com humanidade. Porém, concordo que usuários de drogas, moradores de rua armados, etc, devem ser proibidos. Toda vez que passo com meu carro ali na Avenida Presidente Vargas me parte o coração ver tantas pessoas em situação de rua. É insano que em pleno século XXI anda temos que lidar com este tipo de problema. A pobreza deveria ser erradicada, esse é o nosso maior desafio. Sou a favor de uma lei para isso. Se a pessoa não tiver condições, o Estado deve dar casa, comida, dinheiro, educação, etc. Até que ela possa se erguer sozinha. Mas de novo, muito complexo essa situação.

  3. Há uma diferença entre deter com vistas ao acolhimento e tratamento de saúde e prender!
    O ato de simplesmente prender quem esteja usando drogas, além de ineficiente como política antidrogas, na medida que não reconhece o problema como de saúde pública, também é ao ignorar, ainda, que esta situação criminal não representa maior potencial ofensivo de outros delitos merecedores de ação da Polícia.
    A Política da Tolerância Zero é coisa dos ignorantes como o autor do texto.

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