Felipe Lucena: Cláudio Castro em ritmo de quadrilha

Atual governador representa o Bolsonarismo no Rio de Janeiro, mas diz que não vai criticar Lula no maior estilo quadrilha junina: "finge que vai, mas não vai"

Foto: Reprodução/Internet

O governador Cláudio Castro é do PL, partido de Jair Bolsonaro, e foi eleito como vice de Wilson Witzel, na chapa que surfou muito na onda do Bolsonarismo de 2018. No entanto, mesmo sendo o representante do campo bolsonarista nesta eleição de 2022 ao Governo do Estado do Rio de Janeiro, Castro disse que não vai criticar Lula, do PT. Será que já está se preparando para as quadrilhas das festas juninas e mandando o passo “finge que vai, mas não vai”?

A postura de Castro pode até agradar alguns, que o entenderão como moderado, pragmático. Porém, tudo o que bolsonarismo não quer é moderação. Essa corrente ideológica (a que ponto chegamos) vive justamente do conflito no volume mais alto – ou mais baixo nível – e essa de não querer atacar o líder das pesquisas na corrida presidencial pode custar alguns problemas e apoios para o governador do Rio. Sabemos que o clã bolsonaro só é leal quando seus interesses estão em jogo.

Não adianta Castro dizer que não quer nacionalizar a eleição. A disputa já está nesse ritmo. Inclusive no Rio de Janeiro. Marcelo Freixo (PSB), apoiado pelo PT e por Lula, figura no topo das pesquisas com Cláudio Castro e tudo indica um segundo turno entre os dois. A terceira via ou seja lá como chamem, pelo visto, dançou.

Com as constantes declarações de Bolsonaro inflamando sua militância raivosa, deixando o clima da eleição cada vez mais tenso, muitas vezes com falas que colocam o ambiente democrático e as próprias eleições em xeque, eu entendo não querer o presidente como um par para a vida toda. Isso sem contar os péssimos resultados da gestão bolsonarista, afundando o país em um buraco que parece não ter fim. Mas Castro já mostrou de que lado está. Agora, não adianta ficar vacilando em frente à fogueira.

Por que Castro não quer assumir, claramente, a condição de representante do Bolsonarismo no Rio de Janeiro e agir como tal? Quando precisa, ele agrada o eleitorado radical de Bolsonaro com declarações agressivas a adversários e ataques a críticos na imprensa, como aconteceu durante a catástrofe em Petrópolis. Conhece bem o caminho dessa roça.

O “finge que vai, mas não vai” de Cláudio Castro pode lhe trazer problemas com o veneno bolsonarista. Olha a cobra! É verdade.

Este é um artigo de Opinião e não reflete, necessariamente, a opinião do DIÁRIO DO RIO.

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2 COMENTÁRIOS

  1. Queria saber em qual fala Bolsonaro disse apoiar Cláudio Castro para reeleição?!? O jornalista e humanista (lembro da matéria sobre os moradores de rua criticando o Quintino… e vi seu silêncio quanto aos acontecimentos posteriores
    como agressões, armas brancas e furtos por moradores de rua) poderia passar, por gentileza, o presidente falando… ou é vidente, joga tarô, búzios?!? Esse tipo de jornalismo que deve ser revisto, que falta com a VERDADE, isso é péssimo para a imagem do jornal e causa desconfiança sobre a transparência do mesmo… contra ponto?! Não vejo nada demais! Acho ótimo, pois assim que se pode chegar em um senso comum… agora, faltar com a verdade?!? Espero que o mesmo se retrate ou traga o pronunciamento do presidente onde ele diz o mesmo… pois vejo apenas o Cláudio Castro apoiando o Bolsonaro, não o contrário… como o Bolsodoria…

  2. Em outras palavras, o governador deveria tirar o terno e calçar as luvas de boxe, ou partir para o vale tudo típico das campanhas petistas, psolistas, agora, do PSB, ao qual sou filiado há 32 anos e no qual não me reconheço com o extremismo freixeiro ou freixista. Apoiar alguém eleitoralmente não significa comungar com sua ideologia e ter de agir igual. Menos ainda significa ter a mesma personalidade. Ou estaríamos reduzidos a loucos e ladrões.

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