Não sei se você viu, mas muita gente, depois do último dia de São Sebastião, compartilhou um vídeo no Instagram que fala sobre a complexidade que é a cidade do Rio de Janeiro. O texto e a narração dessa postagem são de Victor Belart, o responsável pelo Cidade Pirata (@cidadepirata).
O Cidade Pirata produz e compartilha conteúdos e ações que têm como tema a cultura de rua. O projeto nasceu quando Victor foi fazer mestrado na Uerj e resolveu levar para dentro da Universidade do Estado do Rio de Janeiro as vivências dele no asfalto carioca.
O período era aquele das manifestações, no contexto dos Jogos Olímpicos, Copa do Mundo, com muita gente na rua e suas artes e protestos no volume máximo.
“Como tudo começou na rua, quis devolver isso na Uerj e o Cidade Pirata surgiu com essa ideia de divulgação cientifica de trabalhos com essa temática e depois com a produção de documentários, reportagens”, disse Victor Belart, que também faz parte do coletivo Faz na Praça, atuante na região da Grande Tijuca.
O Cidade Pirata virou livro e o tema foi para a Câmara dos Vereadores da cidade do Rio de Janeiro.
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Foto 1: Reprodução/Instagram. Foto 2: Divulgação/Editora Letramento
Além de pesquisador, Victor é produtor cultural, jornalista e dá aula de comunicação e cidade na Uerj em um projeto em parceria com a Fundição Progresso. Devido aos estudos realizados, ele também prestou consultorias para empresas.
Com seu olhar voltado para a cultura de rua do Rio de Janeiro, Victor Belart e o Cidade Pirata falam muito sobre Carnaval. Entre tantos assuntos dentro deste grande tema, os tão falados “blocos clandestinos” têm sido ponto de reflexões.
“Chamar de clandestino uma prática artística de rua não é nada bom. Seria melhor usar outro termo, como ‘bloco sem a documentação completa’, ou algo do tipo. Até porque existem blocos que às vezes saem na lista oficial e às vezes não. Tem bloco que desfila sem a documentação toda, mas com a Prefeitura, o Batalhão de polícia da região, todos sabendo. Em muitos casos, essas fronteiras entre o legal e o chamado ilegal no Carnaval são muito borradas, então, esse termo ‘clandestino’ não é o ideal”.
No geral, Victor Belart leva o Cidade Pirata sozinho. Em alguns trabalhos específicos, conta com algumas parcerias. Ele já produziu documentários sobre os ambulantes do Carnaval, as oficinas musicais que dão o tom na folia das ruas da cidade, entre outros temas. E tem mais vindo por aí.
Estão sendo preparados mais três filmes: um que vai mostrar a Folia de Reis e bate-bolas nos subúrbios e mais dois no universo do Carnaval. Destacando as artes integradas na festa mais popular do Rio e a influência latina no evento.
Falando em vídeo, voltando ao conteúdo citado no início da matéria, Victor comenta sobre como explicar essa cidade pirata: “A gente não entende, aí cai no labirinto do sensível. É um caos que não se resolve, que apaixona e assusta. Tem uma relação forte com o corpo. Com o movimento. Toda cidade tem a ver com movimento, mas o Rio tem o movimento como sua forma principal“.