Papo de Talarico: O dia em que Ipanema virou Caribe

Ipanema
Caribe em Ipanema (foto: Alvaro Tallarico)

Enquanto a maioria dos cariocas via o jogo entre Brasil e Croácia, fiz diferente. Acordei cedo, por volta das seis horas, e já fui para o computador. Jornalistei lindamente e tomei a decisão de ir para a praia exatamente na hora da partida. Passava de meio-dia quando cheguei em Ipanema. Estacionei com tranquilidade, claro. O sol explodia no céu num lindo dia azul, daqueles que estávamos com saudade, afinal, foram muitos dias de chuva, tempo nublado e até frio. Em pleno novembro! O mundo está ao contrário e ninguém reparou?

As areias de Ipanema estavam brilhantes, e o mar, nossa, o mar, estava surreal. Era possível distinguir ao menos três tons de azul, era uma cara de caribe. Lembrei do mar de sete cores de San Andreas, cartão postal da cidade colombiana. Sinceramente, nesse dia, Ipanema não ficou atrás nem de San Andreas e nem de Arraial do Cabo, a famosa cidade vizinha conhecida como caribe brasileiro.

Parecia uma piscina, marolas fracas, sem perigo, pouca gente, temperatura amena, ninguém me oferecia nada para comprar, uma paz. Que sonho! Porém, uma estranheza, meu escapulário de Nossa Senhora do Carmo arrebentou enquanto boiava. Um frei carmelita colocou em mim em julho de 2021, na Basílica de Nossa Senhora do Carmo, em São Paulo. Fiquei num pensamento se era bom ou mau sinal, mas resolvi não encucar com isso. Guardei na sunga pensando em consertar em algum momento. Logo em seguida, naquele mar límpido onde conseguia ver meus pés, ao mergulhar com os olhos bem abertos, encontrei óculos de mergulho no fundo.

Iemanjá e o Alcorão

Nossa Senhora da Glória sincretiza com Iemanjá aqui no Rio de Janeiro. Teria ela rompido meu cordão e agora me presenteava com a possibilidade de ver debaixo das águas? Minha mente de escritor imaginativo divagava. Ao meu lado, uma linda mulher nadava, com seus cabelos crespos que mais pareciam uma coroa de rainha nagô. Coincidência? Ah, sou daqueles que não crê em coincidência. Nada nesse mundo é por acaso.

Graças a isso, brotou em meu cérebro um velho ditado: “não cai uma folha da árvore se não for permissão de Deus”. Fui pesquisar e tal frase não está na bíblia, mas você pode encontrar num trecho do Alcorão: “Ele possui as chaves do incognoscível, coisa que ninguém, além dele, possui; Ele sabe o que há na terra e no mar; e não cai uma folha (da árvore) sem que Ele disso tenha ciência; não há um só grão, no seio da terra, ou nada verde, ou seco, que não esteja registrado no Livro lúcido” (6ª Surata, versículo 59).

Naquele dia de mar caribenho, depois da bela praia de Ipanema, ainda comi um baião carioca no Bandolim Vegan Cult Bar, na Lapa. Os óculos de mergulho, lavei debaixo do chuveiro. Ainda não tive coragem de usar. Sabe-se lá o que verei.

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