’Movimento popular’ invade edifício no Centro do Rio, na Região Portuária

A invasão criminosa de imóveis vazios no Centro tem se repetido com perigosas implicações. Movimentos sociais alegam “função social” da propriedade mas especialistas explicam o equívoco

Foto: Tatiana Campbell / Super Rádio Tupi

Organizadas pelo Movimento de Luta nos Bairros, Vilas e Favelas (MLB), cerca de 70 pessoas invadiram criminosamente um edifício na Rua Alcântara Machado, no Centro do Rio de Janeiro, na madrugada desta quarta-feira, (16/11). A Alcântara Machado liga a rua do Acre à rua Visconde de Inhaúma, que é um grande foco de imóveis invadidos a partir dos quais têm sido registradas ocorrências de tráfico de drogas.

De acordo com a Polícia Militar, os manifestantes quebraram o cadeado do imóvel e alegam que só irão cessar o ato criminoso após “negociar” com o Governo do Rio. Pelo menos quatro viaturas da Polícia Militar estão no local. Os agentes tentam negociar a saída deles. A situação é “pacífica”, apesar do arrombamento criminoso.

Outras invasões

Não é a primeira vez que o grupo sem tempo invade, ilegalmente, imóveis no Centro da cidade. Em junho de 2021, 150 famílias invadiram um prédio histórico na Rua da Alfândega e a edificação pertencia ao governo do Estado.

No passado, o prédio funcionou um banco alemão e o imóvel foi confiscado pelo Governo do Brasil na época da Segunda Guerra Mundial e, depois, teria sido tombado pelo Estado. Ele possui lindos vitrais e detalhes em mármore de carrara.

Foto: Divulgação

Na época, o MLB afirmou que o prédio estaria abandonado há vários anos e não cumpriria sua “função social”, sendo, ainda segundo o movimento, agora utilizado como moradia de dezenas de camelôs, diaristas, donas de casa e trabalhadores desempregados que teriam perdido suas casas durante a pandemia.

Muita confusão e muita asneira se vê e ouve sobre a tal ’função social da propriedade’. Não cabe a mim, a você ou aos invasores criminosos a verificação acerca de um imóvel estar ou não exercendo sua função social. Invadir imóvel é crime, e cabe ao Estado e não a particulares fornecer habitação digna ao cidadão. Se algum prédio vazio pode servir a esta finalidade cabe ao Estado verificar tal necessidade e desapropriar o bem pagando o justo preço a seu dono e realizando lá as obras necessárias para entregá-los à população carente. A ninguém assiste o direito de realizar a auto-tutela e fazer a suposta justiça com as próprias mãos. Isto é barbárie”, disse ao Diário o advogado Claudio Andre de Castro, especializado em direito imobiliário.

As invasões crescem na região

Rua Miguel Couto, 115: Invadido. Rua Teófilo Otoni, 92. Invadido. Teófilo Otoni 98: Invadido. Teófilo Otoni 100: Invadido. Visconde de Inhaúma, 111: idem. A lista de prédios criminosamente esbulhados pelas gangues de invasores de imóveis do Centro da Cidade, só aumenta, em proporção geométrica, principalmente na região do Largo de Santa Rita, que leva o nome do centenário templo católico. Na rua Visconde de Inhaúma, o mesmo problema: os prédios arrombados pelos bandidos durante a pandemia se acumularam e segundo informações de comerciantes da região, já são dezenas. O assunto já foi tratado diversas vezes pelo DIÁRIO DO RIO, sempre com exclusividade.

Segundo nosso leitor Leandro B., uma mulher vem organizando as invasões e usa de ameaças para cobrar taxas dos que participam. Ilegalmente, ela cobra aluguel de quem mora nos imóveis, como se fosse proprietária. Os únicos que não pagam para viver nos locais são mulheres grávidas e cadeirantes, usados sempre como justificativa para articular as invasões. Na verdade, esta população vulnerável é apenas o pretexto para uma intrincada operação que teria como objetivo a cobrança de alugueis.

Ela organiza famílias para invadir imóveis e depois cobra o aluguel dessas famílias. E sempre dá prioridade às famílias que têm crianças para comover a sociedade em busca de doações e usar para sensibilizar as autoridades quando se tem despejo“, contou.

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14 COMENTÁRIOS

  1. A legislação tem que ser urgentemente modificada, tem que haver controle da natalidade de quem não tem condições de criar não procriar.
    Invasão é crime e quando passarem a punir com prisão essas invasões se encerraram.
    Quem trabalhar e produz não pode ser responsável por quem só reproduz filhos por conta dos benefícios sociais.

  2. Realmente, pra uma página que vira e mexe deixa nitidamente escancarada que é financiada por empresas imobiliárias, quando invadem um prédio que não está cumprindo o seu papel social aguardando mera especulação imobiliária deve ser um crime mesmo.

  3. esse “panfleto” tá cada vez mais fascista hein? Não é a toa as dicas “gourmetizadas” totalmente elitizadas e insossas da zona sul. eles não “invadiram criminosamente” nada. eles OCUPARAM esses imóveis públicos usados pra especulação. que papo é esse de associar movimento social a “trafico”?! isso é grave! por que não falam do caso do Bar Luiz e a máfia do judiciário carioca, sobretudo, de um certo ADV conhecido no meio, que age em conluio com o setor imobiliário pra “tomar imóveis” de comerciantes na cidade?

  4. Eu já sabia que viriam um monte de comentários, culpando o PT por esse fato. Acontece que o PT nunca governou esse estado, e nem essa cidade. Aliás o Lula não é o presidente do país, ainda. Quem é, é o incompetente, omisso, e dissimulado Bolsonaro. E parece que o país está sem comando, há 4 anos né? Ele só sabia xingar, fazer motociata, e falar no cercadinho. Vide os quase 800 mil mortos que carregamos. O que vemos hoje, é um monte de famílias morando nas ruas, culpa desse governo sem visão social. Durante os governos do PT não lembro de um caos social nesse nível.

  5. Moradia é direito sim para quem luta trabalhando para comprar sua casa própria. A partir daí terão seus sonhados imóveis com financiamento estatal. Não para marginais da facção criminosa PT.

    #bemfeitobrasil

  6. Eles têm direito de invadir e agora que seremos governados pelo PT, é questão de tempo até nos expulsarem das nossas próprias casas. Fizeram o L e agora é tarde.

  7. Enquanto alguns órgãos públicos dos governos municipal, estadual e federal gastam uma dinheirama dos impostos do contribuinte em aluguéis, uma infinidade de imóveis que poderiam ser revitalizados e utilizados por eles ou empregados ordenadamente para fins sociais permanecem abandonados.

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