‘A Patrimar quer ser uma empresa carioca’, diz Alex Veiga

Responsável pelo sucesso de vendas Oceana Golf, a construtora de origem mineira vislumbra novos empreendimentos na cidade do Rio de Janeiro

Ceo da Patrimar, Alex Veiga, da entrevista ao Diário do Rio | Foto: Rafa Pereira

A sabedoria popular diz que mineiros começam comendo pelas beiradas. Chegando ao mercado imobiliário de alto padrão do Rio de Janeiro, Alex Veiga, depois de muito sucesso em Belo Horizonte e na Região Metropolitana de Minas Gerais, à frente da Patrimar, está servindo um belo pedaço da cidade do Rio, mais precisamente o empreendimentoOceana Golf, na Barra.

O condomínio, que mais parece um resort, já é um sucesso de vendas. Como disse Alex, na entrevista que você confere abaixo, o motivo foi: “Juntou a fome com a vontade de comer”.

Ceo da Patrimar, Alex Veiga, da entrevista ao Diário do Rio | Foto: Rafa Pereira

Outro dito na boca do povo brasileiro, esse mais ligado à política, diz que quem vence nas Gerais, vence no Brasil. A empresa comandada por Alex Veiga é líder no mercado de Minas, tendo mais de 30% dos empreendimentos imobiliários da Região Metropolitana do estado e veio para ficar no Rio de Janeiro, além de ter forte atuação no interior do estado de São Paulo.

Ambientado à Cidade Maravilhosa, o mineiro só não mudou de time. Ainda. “Sou Cruzeirense. O Cruzeiro está mal, mas é um dos maiores vencedores do Brasil. Estamos em uma fase difícil, por problemas que tivemos lá. O Atlético está bem porque tem uma injeção bem feita de dinheiro no clube. Mas no momento, eu ando bastante Flamengo [sorri]“.

Ceo da Patrimar, Alex Veiga, da entrevista ao Diário do Rio | Foto: Rafa Pereira

DDR: Como é para alguém de Minas Gerais comercializar um terreno que ficou bastante tempo para ser negociado, vendido, por cariocas?

Alex Veiga: Foi uma coisa muito interessante. Estamos aqui no Rio há 18 anos, mas só atuando com imóveis de baixa renda. Queríamos entrar em um segmento mais alto, de valores mais caros, alto padrão. Temos duas bandeiras, uma que é a Novolar, que é de imóveis do antigo Minha Casa Minha Vida, hoje, Casa Verde e Amarela e outra que é a Patrimar, de imóveis de alto padrão. Um dia, eu liguei para o Rubem Vasconcelos [dono da imobiliária Patrimóvel] e falei para ele que queria conhecer o condomínio Ilha Pura. Marcamos, mas o Rubem falou que antes do Ilha Pura iria me mostrar um terreno. Então, ele me trouxe em um empreendimento chamado Reserva Golf. Eu fiquei encantado. Eu nunca tinha visto lugar tão bonito no Brasil. Era uma vista de cinema, foi num fim de tarde. Fiquei impressionado demais com a beleza. Pedi o contato dos donos do terreno, eles foram super gentis comigo. Estudei o terreno. Com isso, consegui convencer a família e comprar mais terrenos na região. Isso foi há dois anos e meio. Vivíamos um momento diferente do Rio. A nossa grande competência foi enxergar que o Rio estava em um momento sofrido, mas que o mundo dá voltas. A cidade está voltando. Por isso que consegui: foi em uma época que ninguém estava olhando para o Rio. Sou mineiro, mas tenho aparamento aqui, sou apaixonado pela cidade.

DDR: A que o senhor atribui o sucesso de vendas tão rápido do Oceana Golf?

Alex Veiga: Uma série de fatores. O primeiro fator foi a escolha do time que trabalhou aqui. O arquiteto foi o Alexandre Feu, que além de uma figura humana extraordinária, é um senhor arquiteto. Eu já o conhecia de nome, mas fomos apresentados e fizemos esse projeto aqui juntos. O Rubem Vasconcelos, que coordenou o time. Aí, vieram as decoradoras e o paisagista. É algo de cinema. Foi o momento de inspiração de um grande time. Assim, nasceu esse filho maravilhoso. Além disso, de ser um empreendimento único, estamos sentindo um movimento de volta do crescimento da cidade. Juntou a fome com a vontade de comer.  

Ceo da Patrimar, Alex Veiga, da entrevista ao Diário do Rio | Foto: Rafa Pereira

DDR: O senhor enxerga diferenças entre o mercado imobiliário do Rio de Janeiro para o de Minas Gerais?

Alex Veiga: A minha percepção é a seguinte: o mineiro tem um padrão de construção acima do que usualmente se faz aqui no Rio de Janeiro. Acho que uma das razões para termos sucesso foi entrar com o padrão mineiro dentro do conceito carioca, do estilo de vida do morador do Rio de Janeiro.

DDR: O senhor investiu em um período de crise da cidade do Rio e, ainda assim, vendeu quase um prédio todo em uma semana. Ainda vale a pena investir no Rio de Janeiro?

Alex Veiga: Esse empreendimento nos deu uma visibilidade tremenda. E isso abre portas. Estamos sendo procurados, já fechamos terreno depois disso. Foi muito bom para nós. Segundo que o Rio de Janeiro está no início de uma retomada econômica. Essa cidade vai crescer e muito. Ela ficou muito sofrida por anos. Agora, estamos vendo, a cada dia novas notícias boas sobre a cidade. Estou muito feliz de estar no Rio. A Patrimar não veio para fazer um empreendimento. A Patrimar quer ser uma empresa carioca.

DDR: Por que sair de Minas Gerais, onde vocês são líderes do mercado, para vir para o Rio de Janeiro, enfrentar concorrência nova?

Alex Veiga: Já teve muito concorrente no Rio. Hoje não tem. Hoje é um mercado com poucos players. Em São Paulo, o bolo é enorme, mas tem muita gente para comer o bolo. Aqui, o bolo é menor, mas tem bem menos gente para comer o bolo. Nós não viemos para fazer esse empreendimento. Viemos para ficar. O Rio vai voltar a crescer, repito. Estamos em um bom momento.

Ceo da Patrimar, Alex Veiga, da entrevista ao Diário do Rio | Foto: Rafa Pereira

DDR: Por que o senhor considera que o Rio de Janeiro vive um bom momento?

Alex Veiga: Temos notícias recentes sobre a pandemia, de casos, mortes, caindo. A privatização da Cedae. O petróleo no patamar que está é ótimo para o Rio. O turismo é outro fator: o Rio tem uma malha de hotéis espetacular. Com o fim da pandemia é natural muitos turistas quererem vir para o Rio de Janeiro. O turismo, eu acredito que volta a ser uma mola propulsora inigualável. E é o tipo de mercado que dá resultado imediato. Finalmente, temos um prefeito trabalhador e apaixonado pela cidade, além de um governador que parece ser uma pessoa extraordinária. Por tudo isso, atribuo um bom momento do Rio.

DDR: A Patrimar “ficar” no Rio significa o quê? Vão construir em outros bairros?

Alex Veiga: A gente tem aqui (na Barra) 25 mil metros de terreno. Tenho mais três nesse tamanho. Então, tenho mais três bi para lançar. Fechamos recentemente um terreno que é até mais de um bi. E temos mais terrenos em prospecção, além da Novolar, que vai lançar um empreendimento aqui no Recreio e que não para de lançar novos produtos.

DDR: Muitas vezes, falamos do pessimismo dos cariocas e que isso atrapalha alguns negócios na cidade. O que o senhor, que não é daqui, acha disso?

Alex Veiga: Eu entendo o desânimo, o pessimismo que o carioca ainda se encontra, essa pandemia foi pesada, mas, com o olhar de fora, de quem não mora aqui, mas vem sempre (toda semana estou no Rio), leio as notícias, adoro estar aqui, eu acho que o carioca precisa tomar um choque de realidade. Porque é a cidade mais gostosa do Brasil, o espírito carioca é uma marca. As pessoas têm que acreditar na cidade. A economia do Rio vai voltar mais rápido do que as pessoas acreditam. O Rio sofreu muito, mas o Rio tem um poder de recuperação extraordinário.

Ceo da Patrimar, Alex Veiga, da entrevista ao Diário do Rio | Foto: Rafa Pereira

DDR: Barra e Recreio já tiveram micos de vendas no mercado imobiliário e ainda existem críticas à infraestrutura da região. O que o senhor acha?

Alex Veiga: Sobre os empreendimentos que não foram vitoriosos, o Rio de Janeiro foi a última cidade a entrar na crise. Porque tinha uma série de obras ainda pós-copa do mundo e pré-olimpíadas. Então, o Rio não percebeu a crise logo, demorou mais. Essa é a vantagem de um olhar de fora. Quem está aqui tem o olho viciado nos problemas. O Rio é a segunda cidade do país, uma das mais bonitas do mundo. É claro que essa cidade vai bombar. Eu acho que nós acertamos. Compramos os terrenos no período de baixa e tivemos competência para desenvolver um ótimo produto. Em termos de infra, essa região da Barra, para mim, é um dos melhores lugares do Brasil. O Rio, em decorrência das Olimpíadas, do Eduardo Paes na Prefeitura, melhorou muito a mobilidade. Precisa de mais? Precisa. Mas melhorou. Fora que aqui na Barra, você paga bem menos que na Zona Sul pelo metro quadrado. Pelo valor que se paga na Zona Sul, aqui eu te entrego duas vezes mais. Se aqui custam 15 mil, lá custam 30. Além de áreas maiores, o que não é possível lá. Isso aqui é um resort [o Oceana Golf].

DDR: Falando em Zona Sul, pensa em investir lá? E no Centro?

Alex Veiga: Posso dar um puxão de orelha no carioca? Então, estou tentando comprar um terreno no Porto do Rio para fazer um projeto bacana, já está estudado, projeto marcado, mas a burocracia está nos impedindo de ir adiante. Não que a Prefeitura não queira. Pelo contrário. Como temos a bandeira Novolar, eu penso um empreendimento de classe média para lá. Com vista deslumbrante para Baía de Guanabara, toda estrutura do Centro. Mas a burocracia está atrapalhando. Sobre Zona Sul, estamos sempre abertos. É uma conta difícil de fechar, mas estamos estudando. São produtos com o valor do metro quadrado muito alto. Estamos atentos e tem coisas em prospecção.

Ceo da Patrimar, Alex Veiga, da entrevista ao Diário do Rio | Foto: Rafa Pereira

DDR: O que o senhor acha do programa Reviver Centro?

Alex Veiga: Eu sou completamente a favor de revitalizar o Centro. É caro para o município levar infraestrutura, como água, luz, asfalto, transporte e o centro já tem tudo. Tem que ter moradias lá.  Muito mais moradias.

Ceo da Patrimar, Alex Veiga, da entrevista ao Diário do Rio | Foto: Rafa Pereira

DDR: Ano que vem vai ser votado o Plano Diretor da cidade do Rio. Como o senhor está vendo essa questão, já que acompanhou esse debate em Belo Horizonte?

Alex Veiga: Acho que algumas coisas têm que ser revistas. Essa questão do coeficiente. Tem que ser debatido. O plano diretor de Belo Horizonte, que já foi votado, achei ruim. É muito restritivo.

DDR: O que mais o carioca pode esperar dessa empresa mineira?

Alex Veiga: Ano que vem, teremos dois ou três grandes lançamentos pela Patrimar. E a Novolar é lançamento toda hora.

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