A última matéria da série #RioDoente falará sobre uma doença que já foi superada em muitos locais do mundo, mas que segue sendo um problema no Rio de Janeiro. Principalmente nas áreas mais pobres da cidade.

Nos últimos dias, o DIÁRIO DO RIO publicou como morrem mais recém-nascidos nos bairros mais pobres em comparação com as áreas mais ricas da cidade. O mesmo acontece quando o assunto é mortalidade materna.



Toda manhã o resumo do Rio de Janeiro

Na cidade do Rio de Janeiro, a mortalidade por tuberculose é de 2.17 para cada 100 mil habitantes. Na região de Jacarepaguá e adjacências chega a 3.97 a cada 100 mil. Na Zona Sul, Área de Planejamento (AP) 2.2, o índice de mortes pela doença é de 0.81 para cada 100 mil pessoas.

A taxa de mortalidade nacional para casos de tuberculose é de 2,2/100 mil habitantes. No Rio é quase o dobro.

Também na Zona Oste, em Bangu, o número total de casos foi o maior da capital nos últimos meses. Foram 723 infectados pra cada 100 mil moradores. Até junho deste ano, haviam sido registrados 355 casos. Muitos desses são presos do Complexo Penitenciário de Gericinó.

“Estamos falando de uma doença que matou aproximadamente 1,4 milhão de pessoas em 2019 e atinge principalmente populações de baixa renda, que vivem em áreas de alta densidade populacional. Isso explica os muitos casos na Europa dos séculos XVIII e XIX e, lamentavelmente, também é a razão do elevado número de casos nas comunidades carentes do Rio de Janeiro. Portanto, o ‘título’ de campeão nacional da tuberculose é consequência da nossa cidade dividida, com uma situação controlada ‘no asfalto’ da Zona Sul e um quadro absolutamente assustador na zona oeste da cidade”, disse o vereador Paulo Pinheiro, presidente da Frente Parlamentar em Apoio ao Combate da Tuberculose da Câmara dos Vereadores.

A situação da tuberculose se agravou nos últimos tempos. E com a pandemia causada pelo Coronavírus, mais um problema se sobrepôs à grave questão.

“Nos últimos anos o governo municipal está destruindo as políticas públicas de Saúde, principalmente na Atenção Básica. Estamos falando do fechamento de diversas unidades de Saúde da Família e da demissão de milhares de Agentes Comunitários de Saúde, fundamentais no combate à tuberculose. Isso fez com que a cidade atingisse índices epidemiológicos preocupantes e a falta de vagas para internação na rede municipal se tornou um problema crônico, como podemos constatar pela demanda nos plantões judiciais. Para piorar, o acesso aos serviços de saúde se tornou um desafio ainda maior em tempos de pandemia de Covid-19”, diz Paulo Pinheiro. 

Sempre bom lembrar que a Tuberculose tem cura, o tratamento é gratuito e disponível no Sistema Único de Saúde (SUS). A doença já foi erradicada em boa parte da Europa Central.

As desigualdades sociais acarretam em múltiplos problemas em grandes cidades como o Rio de Janeiro. Na saúde não é diferente. Saúde é vida. E de vidas, temos que cuidar sempre. Seja nas áreas mais pobres ou mais ricas do munícipio.

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