‘Unidos da Invasão’ saqueiam mais uma loja do Centro

Mais tradicionais do que o Bola Preta, tem sido os arrombamentos de lojas durante madrugada, na região Central: loja de macarrão na Rosário foi a vítima da vez

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Cinquenta furtos com arrombamentos em um pouco mais de um mês, é assim que comerciantes do Centro Antigo calculam, por conta própria, diante de mais uma ação de ladrões, que saqueiam as lojas e edifícios, após o fim do turno do Programa Centro Presente, que reforça com eficiência o policiamento da região até o início da noite. Mesmo com o empenho da Polícia Militar, que designou a inteligência para atuar nas ruas aos arredores do tradicional Largo da Carioca, amanhecer com a lataria das portas de enrolar amassada ou destruída passou a ser normal. “A polícia faz o trabalho dela, mas logo soltam os ditos coitadinhos. Outro dia, quase colocaram fogo na minha loja porque quiseram levar uma tubulação de gás e fiação elétrica. Tenho medo de perder tudo e não adianta mais investir em segurança. Eles não estão nem aí para as câmeras“, lamenta uma proprietária de loja da Rua do Ouvidor.

O alvo da madrugada desta sábado foi a loja O Macarrão, na Rua do Rosário, que teria ficado aberta até às 23h de sexta-feira e aberto hoje, antes das 12h. A rede ainda deve abrir mais uma unidade no Centro a partir de abril, em um ponto próximo à Cinelândia, conforme vem anunciando.

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Mais uma porta de ferro é aberta por bandidos na madrugada para saque em restaurante na Rua do Rosário, próximo ao Saara

Em um vídeo compartilhado nas redes sociais, que mostra um homem carregando uma TV, que suspostamente seria a levada de uma das lojas saqueadas na Gonçalves Dias, causou revolta no grupo de comerciantes da região. “E olha onde foi parar a TV? Parece que foi levada para perto do Inca, onde a Prefeitura passou a concentrar os moradores de rua e acumulá-los sem serem incomodados. Cadê a tal internação compulsória que o prefeito defende em frente da imprensa?“, completa a empresária.

Em um pouco menos de duas semanas, começa o Comitê do G20, na Marina da Glória, onde serão debatidas pautas mundiais com os chanceleres dos países mais ricos do planeta. A ideia é que os diplomatas desfrutem ainda a cidade seja em almoços ou tempo livre. “Nosso Centro Histórico tem todo potencial para receber os chefes de Estados e demais figuras importantes, mas, imagina bem no dia, uma Colombo não abrir porque arrombaram a porta? Fizeram com quase todos os vizinhos da confeitaria. É uma vergonha“, comenta uma gerente de sapataria, que também não quis se identificar. O medo da ação noturna dos cracudos e invasores é menor que o do poder de retaliação da bandidagem que atua nas noites de um Centro cuja mancha criminal vem diminuindo durante o dia.

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A Polícia Militar afirma que o número de furtos estimado não é o número oficial, mas, até o fechamento da matéria, se posicionou sobre o policiamento na região, em nota: “A Assessoria de Imprensa da Secretaria de Estado de Polícia Militar informa que o comando do 5º BPM (Praça da Harmonia) emprega equipes direcionadas à realização de abordagens sistematicamente na região do Centro da Cidade, inclusive no perímetro citado. De acordo com o comando do 5ºBPM, a unidade não foi acionada para o episódio relatado, mas a unidade tem realizado um conjunto de estratégias aplicadas ao local, que tem se refletido na diminuição de importantes indicadores criminais na região”.

O empresário Cláudio André de Castro, comissário da da Irmandade dos Mercadores, mais antiga organização de comerciantes do país (é de 1743) mostra a cara e sentencia: “O problema é a quantidade de mendigos e cracudos na região, aliada à falta de vontade das autoridades em combater os verdadeiros bandidos: os donos dos ferros velhos clandestinos que compram aqui mesmo tudo que é roubado na esquina. Infelizmente não se tem a real noção de como a região sofre com estes bandidos que trabalham dentro de imóveis normalmente invadidos, e se fingem de coitadinhos. É preciso coibir as invasões na região, que servem para nada além de acobertar crimes como estes”, afirma.

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VIAAmanda Raiter
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Formada em Comunicação Social desde 2004, com bacharelado em jornalismo, tem extensão de Jornalismo e Políticas Públicas pela UFRJ. É apaixonada por política e economia, coleciona experiências que vão desde jornais populares às editorias de mercado. Além de gastar sola de sapato também com muita carioquice.
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7 COMENTÁRIOS

  1. Em vez de tirar a desocupação da rua agregam o que tem de bom e ruim pra dar cobertura, chuveiro, cama, leitinho, talquinho…Depois de receberem todo o cuidado a turma do Lapeta vai pra rua pra anarquizar. Se a moda de São Paulo pegar, meu camaradinha, o galinheiro está aberto, é só o lobo entrar e fazer a festa.

  2. Apenas a PM sendo uma polícia reativa e incompetente. Essa mesma PM de um governador ausente e incompetente também.

    Somado a problema de empregabilidade, fiscalização de ferros velhos e tantas outras questões envolvidas.

    Tem lugares no RJ que não tem furto assim, mas se cobram uma “taxa de segurança” altíssima e progressiva. Há casos de mesmo pagando vc ainda tem coerção. Nessas regiões políticos como o Cláudio Castro recebem mais de 90% dos votos.

    O RJ não tem escolha.

    • Meu amigo, nosso prefeito paespalho já liberou o funcionamento dos ferro-velhos por toda cidade. Tá tudo liberado e agora com o carnaval ninguém vai querer saber de nada. Nem depois. Onde não tem quinhão, não tem solução.

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