Zona na Vila da Penha: Com 10 trailers, morador denuncia óleo em bueiros do Largo do Bicão

No Largo do Bicão, na Vila da Penha, impera a desordem urbana e impede o surgimento de uma economia gastronômica local

o dono do trailer da foto afirma não fazer isso e sim entregar seu óleo para reciclagem Foto: Daniel Martins/Diário do Rio

São quase 10 trailers em pleno Largo do Bicão, na Vila da Penha, um dos points mais conhecidos da Zona Norte do Rio. Perto dali, ainda se vê uma lanchonete e, a menos de 10 metros, um ambulante vendendo coxinha na porta de uma agência bancária. Quem atravessar a rua, encontrará outro de salgadinhos, no mesmo padrão. Na hora do almoço, a maioria dos estandes permanecem fechados, alguns estão disponíveis para locação. Há um que venda quentinhas a preços bem abaixo de mercado, a partir de R$ 12.

Embora tenham bancos e farto comércio no local, não foi possível ver nenhum restaurante, apenas uma loja do Mc Donald’s e uma pequena lanchonete de bairro. O Largo do Bicão fica próximo ao já famoso Polo Gastronômico de Vista Alegre, pouco mais de dois quilômetros de distância, dá para ir andando, coisa de 25 minutos. Um sinal claro que a desordem prejudica a economia local.

Além do Largo do Bicão, há um ambulante vendendo comida, como feijão amigo, na porta do Carioca Shopping, um dos maiores da região. Ao ler matéria do DIÁRIO DO RIO sobre o combate à venda de quentinha clandestina pela Prefeitura do Rio na Zona Sul, um morador da Zona Norte, que preferiu não se identificar, criticou não olharem para o outro lado da cidade. “À noite, tem até jantar. Fica sujeira, os ralos cheios de óleo, é uma zona isto”, desabafa.

Trailers vendem até almoço no Largo do Bicão

Já a Subprefeitura da Zona Norte informa que há trailers autorizados não só no Largo do Bicão, na Vila da Penha, como em toda a região sob a jurisdição do órgão “A reportagem nos questionou a respeito de supostos trailers irregulares, mas não nos informou quais e por que razão eles não atenderiam as normas municipais de funcionamento a fim de que pudéssemos responder a contento”, coloca a Subprefeitura em nota. A equipe do DIÁRIO DO RIO não foi respondida pela Subprefeitura sobre quem exerce a atividade de forma regular no Largo do Bicão, inclusive a de quentinhas.

Já o subprefeito da Zona Sul, Flávio Valle, declarou, em uma entrevista ao DDR, que há suspeita de que a fabricação das quentinhas, seria uma atividade que se assemelha a de uma milícia, pois são grupos que revendem para os ambulantes de toda cidade, podendo conter até ingredientes obtidos em assaltos a carga roubada. A falta de procedência dos alimentos também preocupa especialistas da área de Higiene de Alimentos.

Na Barra da Tijuca, na Zona Oeste, também é possível flagrar ambulantes de quentinhas atuando, inclusive na orla da praia, competindo clientela até mesmo com os quiosques. Outros pontos comuns são em frente a condomínios tradicionais do local. “Meu caseiro tem outra opção, mas prefere a quentinha por ser mais bem servida, segundo ele. Está uma febre. Outra vez, peguei um táxi e ficou aquele cheiro dentro do carro da que estava no banco do carona. Fiquei até com medo de chegar na festa cheirando a frango assado”, comenta um morador da Barra, que não quis se identificar. 

Em nota, a Subprefeitura da Barra afirma que realiza constantes ações ao lado dos órgãos de fiscalização da Prefeitura do Rio, bem como recebe denúncias de moradores com relação a venda irregular de alimentos e estacionamento em local indevido. Inclusive, recentemente (semana passada), uma dessas ações resultou na remoção de dois veículos que vendiam quentinhas no Jardim Oceânico, região das estações de BRT e metrô.

A Secretaria de Ordem Pública informa que existe a Lei Complementar n. 178, de 5 de setembro de 2017, que dispõe sobre o funcionamento dos “Food Trucks” no canteiro central da Avenida Meriti, na altura do Largo do Bicão, que permite que eles atuem no referido local. A Seop ainda ressalta que realiza vistorias de rotina no local, que está entre os 78 bairros que compõem a área de atuação setorial, e vai programar uma nova visita de inspeção para verificar possíveis irregularidades. O órgão reitera que tem realizado diversas ações e notificações preventivas aos responsáveis pela venda de quentinhas, e recentemente, dezenas de carros foram rebocados. Essa operação visa o ordenamento da cidade, o combate ao comércio ilegal e a saúde da população.

Formada em Comunicação Social desde 2004, com bacharelado em jornalismo, tem extensão de Jornalismo e Políticas Públicas pela UFRJ. É apaixonada por política e economia, coleciona experiências que vão desde jornais populares às editorias de mercado. Além de gastar sola de sapato também com muita carioquice.
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2 COMENTÁRIOS

  1. Quem manda na Vila da Penha e adjacências é a Rosa Fernandes e sua família de políticos profissionais, há décadas no poder, qualquer que seja o prefeito eleito. Um verdadeiro feudo.
    O Subprefeito, que certamente é indicado por ela, só faz o que ela deixa ou manda.

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