Flávio Bolsonaro e Wilson Witzel em junho do ano passado, quando ainda eram próximos, durante visita do governador do RJ ao Palácio do Planalto - Foto: Igo Estrela/Metrópoles

Após ser alvo, na manhã desta terça-feira (26/05), da Operação Placebo, que investiga supostas fraudes na área de Saúde do RJ no enfrentamento à pandemia do Coronavírus no estado, o governador Wilson Witzel não perdeu a chance de, novamente, criticar a Família Bolsonaro.

Às 20h desta terça, Witzel fez uma postagem em sua conta oficial no Twitter sugerindo ao senador Flávio Bolsonaro (Republicanos) que ”siga seu exemplo” e deixe a Justiça investigar seus sigilos bancário e telefônico. Ainda segundo o governador, ”quem não deve, não teme”.

Publicação de Witzel em seu Twitter na noite desta terça (26/05)

Melhor explicando, Flávio Bolsonaro é investigado por um suposto esquema no qual parte dos salários de seus antigos assessores na Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj), na época em que era deputado, seria devolvida ao senador ou destinada a outro fins. Essa situação é conhecida, na linguagem popular, como ”rachadinha”.

Um dos principais alvos da investigação, além de Flávio, é Fabrício Queiroz, um de seus ex-assessores, que passou a ser investigado em 2018 depois que o Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) identificou diversas transações suspeitas ligadas a ele.

De acordo com o órgão, Queiroz movimentou, de janeiro de 2016 a janeiro de 2017, cerca de R$ 1,2 milhão, valor que seria incompatível com seu patrimônio à época e ocupação profissional, e recebeu transferências em sua conta bancária de 7 servidores que passaram pelo gabinete de Flávio.

De aliados a inimigos em curto espaço de tempo

Anteriormente próximos, devido a ideologias políticas parecidas, Wilson Witzel e o ”clã” Bolsonaro deram início a um clima – ao que parece, irreversível – de animosidade no 2º semestre do ano passado, quando o presidente da República, Jair Bolsonaro, atribuiu ao governador do RJ o vazamento de informações à imprensa a respeito das investigações sobre a morte de Marielle Franco, ocorrida em março de 2018. Segundo o patriarca e ”líder” da família, Witzel tentou criar uma conexão entre ele e o assassinato da ex-vereadora.

Desde então, o clima entre eles é péssimo, com mútuas críticas e ofensas públicas. Durante a polêmica reunião ministerial ocorrida no dia 22/04 em Brasília, por exemplo, que teve divulgação autorizada pelo Supremo Tribunal Federal (STF) na última sexta-feira (22/05), Jair Bolsonaro chamou Witzel de ”estrume”.

Já no último dia 12/05, Witzel disse que ”Bolsonaro caminha para o precipício e quer levar com ele todos nós”, criticando a maneira com que o presidente encara a pandemia do Coronavírus no Brasil.

Vale lembrar que, inclusive, Flávio Bolsonaro foi grande incentivador à candidatura de Wilson Witzel ao Governo do Estado nas eleições de 2018. Nesta terça, entretanto, após a Polícia Federal bater à porta do governador para fazer cumprir a Operação Placebo, e diante de toda a inimizade criada ao longo dos últimos meses, o senador pediu desculpas à população do RJ pelo apoio, à época, a Witzel.

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